Atorimaginario/Christian Duurvoort

Notas de Tacuarembó

9 09UTC Novembro 09UTC 2009 · 1 Comentário

30102009290É o último dia aqui… tem um blog da produção.
www.laredotafilm.blogspot.com
Mandei um e-mail para a blogueira que vou reproduzir neste poste.
Bom dia Fabi,
Te felicito. O Blog está ficando lindo.
Com o tempo vc vai pegando as manhas da ferramenta.
Meu nome se escreve como está aí abaixo. E é Marina e não Mariana.
Prefiro que vc cite no meu cv El baño del Papa e o Blindness. A Marina foi minha assistente no Blindness.
A preparação foi feita em duas etapas: O taller de actuación com os locais que a Marina executou e eu supervisionei.
E os ensaios com o elenco de TBó e MVD e o acompanhamento de set feito por mim.
A oficina de Tacuarembó foi importante fez parte de uma estratégia para encontrar o elenco de apoio e alguns personagens importantes como o Ansina.
Tivemos que dividir em duas frentes por questões de logísitica, já que o ideal seria misturar as pessoas e compartilhar habilidades e conhecimentos. Muito do que ator faz não se aprende na escola, se aprende na vida. Há pessoas que fazem disto seu modo de viver, de trabalhar e desenvolvem mais rapidez e prontidão. O negativo disto é que às vezes o profissional se isola e deixa de se nutrir de estímulos novos diferentes.
A oficina de Tacuarembó rendeu muito também para a dramaturgia do filme e serviu de fonte de inspiração para o diretor que sorveu o quanto pode.
A preparação de elenco na realidade é a pré-produção do filme do ponto de vista dos atores. Temos que esquecer esse mito que só com o roteiro o ator já está pronto. Isso é uma visão estreita que reduz inclusive a função do ator.
Voltando a estratégia da preparação:
A primeira prioridade deste trabalho atingir uma qualidade de atuação homogênea respeitando as características de cada um.
Ou seja fazer deste pessoal uma orquestra.
A segunda prioridade é inspirar o pessoal a entrar na ficção, a se apropriar de cada ação e palavra, de ter prazer em tudo mesmo nos momentos mais dolorido.
Daí possibilitar que a diversidade do entendimento dos temas por cada ator (para mim entrou na minha sala é ator, sendo que há alguns com mais maturidade que outros, não uso o termo não ator) pudesse se somar a dramaturgia global do filme. Ou seja nos libertar do que está escrito e recriarmos uma versão pessoal. O Guión seria apenas uma guia para fazer um tema de jazz.
O resultado disso falam por si pelas imagens captadas.
Muito Sucesso
Beijos
Chris

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Preparando Artigas

25 25UTC Outubro 25UTC 2009 · 3 Comentários

22102009256Escrevi um outro  texto que desapareceu da tela por que fui desconectado da internet. Tinha muito mais informação.

Enfim em três dias vamos começar a captar ( vai ser em digital).

Esse filme teve uma pré-produção difícil para mim por que trabalhamos com dois elencos em duas cidades distantes uns 500 quilometros um do outro. Um elenco principal formado por atores uruguaios com muita experiência de teatro e um ator espanhol com experiência em cinema e televisão. Um elenco de apoio formado por pessoas locais sem nenhuma experiência de cinema mas com a experiência que a vida lhes deu.

O tema é do filme é a Terra, a identidade, as relações humanas…

A nossa locação principal está no meio de uma fazenda. É um lugar maravilhoso.

Além do que está escrito nos livros de história queremos dar uma dimensão humana destes fatos históricos que são determinantes na história do Uruguai. Ou pelo assim quis a história oficial nos contar. É o nascimento da nação, não foi o movimento que de fato deu independência ao Uruguai mas foi o fato que criou deu as bases ideológicas da nação. Artigas representa tudo que o uruguaio almeja para seu país. Principalmente a Igualdade.

Aqui em Tacuarembó ele é tido como um heroí, um homem que soube olhar para os mais necessitados e soube captar o espírito do Gaucho, do vaqueiro livre.

Para todos um grande desafio e um aprendizado. Dificuldades de toda sorte. Pouco dinheiro para um filme com dimensões de um épico. Muita responsabilidade pelo fato de que nunca se tentou retratar essa personagem no cinema. Muitos dados contraditórios, muitos pontos de vista e muita confusão por que o fato histórico se situa num momento de crise caminhando para o caos.

Nessas 3 semanas aprendi muito sobre a história, o suficiente para contar a história que quero contar.

Mas esse não é um filme histórico…é um filme político.

As cenas principais são em torno de uma fogueira em que se travam os debates sobre os fatos históricos, sobre as necessidade de cada um, sobre a terra, a identidade, onde se revela que a idéia de comunidade não é sempre harmonia e que os interesses de grupos prevalecem. São as cenas críticas em que vamos tentar fugir do recitativo, do épico, do chato que é ouvir um bando de gente falando sem muita ação.

Nessa semana enfrentei a maior crise até agora. Os atores sentiram o peso do que vão fazer e se sentiam despreparados, confusos, intimidados pela responsabilidade de terem de confirmar o que existe escrito nos livros de história. Enfim eles se sentiam numa camisa de força.

Fomos para a locação buscar energia para eles e eu uma estratégia para canalizar o fluxo humano que estava transbordando. Literalmente entre montes de bosta travamos uma batalha com a nossa insegurança e ansiedade saindo vitoriosos e com confiança. Para tanto usei um artifício de experimentar seu personagem sem avisar os companheiros e ver se eles entram no jogo. Foi ótimo. Alcançamos a qualidade de atuação que quero para o filme. E eles entenderam que eles não precisam se carregar com toda a responsabilidade da recriação histórica mas simplesmente se envolver em debates, ações e um vivenciar lugar que está pronto para eles.

Manter a leitura →

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Curso Ator Imaginario em Novembro em São Paulo

21 21UTC Outubro 21UTC 2009 · Deixe um comentário

Nunca fiquei tanto tempo sem escrever…

Na última semana de novembro de 23/11 à 28/11 vou dar mais um curso intensivo na AIC. Ver mais no site www.aicinema.com.br Manter a leitura →

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Sete de Setembro

4 04UTC Setembro 04UTC 2009 · 2 Comentários

Nada melhor que um fim de semana prolongado com chuva. O caos de São Paulo aumenta e cada um tem sua razão para usar seu carro, para ficar preso no trânsito, para gerar uma violência desnecessária. Agora que o mundo é grande e a terra é pequena estamos nos dando conta que não tem espaço para todos. Que se tivermos sorte poderemos desfrutar um pouco do que resta da Paz. Muitas neuroses juntas gera mais neurose. Como encontrar um pouco de silêncio e contemplação.
Sete de Setembro. Eu sou de uma geração que aos dezoito anos pode votar para Governador, para Prefeito da Capital…que pode participar das diretas já. Que enfim conheceu a abertura política. Ainda tinha a emoção de poder lutar contra o poder estabelecido, de poder ser rebelde e encontrar muitos seres com o mesmo desejo. Para muitos da minha geração sete de setembro era obrigação, era coisa de militar, era uma demonstração de força por parte da repressão. Daí que por isso virávamos as costas.
Estou trabalhando num filme histórico no Uruguai. Artigas é o nome, se não do principal, da figura histórica mais respeitada e tida como um procér da República Oriental do Uruguai. Enfim um heroí nacional.
Os malvados são os Portugueses (nossos ancestrais), o triumvirato portenho que querem ter contrôle sobre toda região, os espanhoís que são o governo local mas já não estão tão fortes e enfrentam uma crise na metrópole.
Enfim a história se passa no meio de uma revolução mundial, logo após a bem sucedida revolução Americana e a conturbada Revolução Francesa.
Oito mil pessoas contra o resto do mundo. Com apoio do Paraguai mas sem fundos para financiar uma guerra de libertação. Um movimento fadado ao fracasso mas cheio de sonhos e projetos para fundar uma nação onde aja igualdade.
A imagem do Artigas foi usado pela esquerda radical assim como a direita. Ele foi o Che daquela época.
O filme conta a história dele.
Aqui no Brasil não temos paralelo…
Talvez o Zumbi dos Palmares, talvez o Movimento Tenentista, Tiradentes e a Inconfidência Mineira,…
Existem alguns mas um libertador do Brasil não temos.
Nossa proclamação se deu como todos sabem através do filho do Rei e da manutenção do poder já estabelecido. Não houve um debate maior. Foi algo que aconteceu no gabinete.
Se foi melhor assim não sei. Nem sei se o fato de não termos um pai da pátria seja melhor ou pior. A idéia de nação é que é mais complicado. O que eu acredito que tenha sido a maior vitória da revolução norte americana. Seus valores se mantêm sem precisar serem reformulados. Se sua visão do resto do mundo é a mais correta, acredito que não. Se seus valores servem para nós, também não.
Acredito que precisamos ter símbolos, marcos, momentos em que refletimos como queremos continuar a existir aqui e estabelecer ideais comuns a todos.
Talvez com o crescimento econômico possamos através da educação conseguirmos gerar esse debate de norte a sul. Talvez possamos transformar o sete de setembro de desfile militar em um passeio pacífico pelo bem comum da nação. Chega de demonstração de força.
Nação é o conjunto das diversas comunidades que são formados por indivíduos.
Ainda acredito em ideais coletivos. Minha arma tem sido minha arte, minha escrita, minha fala…
Dificilmente me veria pegando em armas e usando a força para alcançar os objetivos pelas quais luto.

O que é bom de escrever nesse blog é o fato que eu escrevo para quem não conheço para me conhecer melhor. Auto conhecimento se faz melhor quando rodeado por semelhantes que se fazem pares. Só o auto conhecimento pode melhorar nossas ações nesse mundo e salvar nossa natureza.

A tirania faz parte do nosso DNA. Assim como todos nós temos poder mas preferimos delegar ele a um outro estranho ao invés de exercitarmos nós mesmos. Parece que a imagem do ser frágil, desprovido de poder seduz mais que a pessoa que faz por si mesmo e não espera acontecer. Mas que não se confunda o frágil e sensível com o sujeito desprovido de poder e insatisfeito. Pessoas insatisfeitas são tão perigosas quanto ditadores por que elas se juntam temporariamente em nome de um ditador momentâneo e outorgam seu poder aquela pessoa querendo com isso encontrar a satisfação. Mas não a libertação.
Hoje as tiranias não se estabelecem em algum lugar elas vagam por aí mais eficientes que o vírus de uma gripe. Ela se instala dentro de cada um e espera o seu momento. Hoje todos podem ter seu momento de tirano e não saberem. Apenas que hoje toda essa forca se volta para o consumo e sua adesão se faz em nome do individualismo mas não do indivíduo. Nos comparamos constantemente e nos cotamos. Quem tem mais, quem tem menos, quem é mais feliz, quem sofre mais…as comunidades se afinam por aquilo que elas dizem ter e não pelo que se propõe criar….
Sete de Setembro vai longe… e hoje é apenas sexta feira. Ouço as buzinas da cidade e não consigo imaginar como era aqui em 1800. Talvez o canto do passarinho encoberto pelo som do helicóptero possa me dar uma dica…
Bom feriado a todos!

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Salve-se quem puder…a vida

18 18UTC Agosto 18UTC 2009 · 2 Comentários

São Paulo cansa…Quis sair de casa para ir numa reunião no outro lado da cidade fiquei desencorajado pelo trânsito.
Nada de reclamar!
Esse fim de semana tive uma experiência prazeirosa que me remeteu ao Ensaio sobre a Cegueira. Era uma oficina de Ecopedagogia. Aprendi que não adianta salvar a natureza mas é necessário salvar a si próprio. Estamos perdidos e o nosso modo de viver não é sustentável. A Natureza ela se transforma e pode até desaparecer e a causa será o Homem. Essa era a apresentação teórica. Havia também uma rodada para saber que ações tomar. Basicamente reconsidere seu consumo, de onde vem e para onde vai o que você consome. Trate de cuidar da sua natureza e não esperar uma ação coletiva. A massificação é uma praga da qual enganosamente pensamos que estamos livres dela. Entre outras propostas me lembro mais dessas.
Depois fomos para a parte prática. Ir ao terreno plantar mudas. Aprender um pouco sobre como, quando e de que modo lidar com a terra e as plantas. Como fazer um minhocário e como aproveitar os resíduos orgânicos para revitalizar a terra. Desperdiçamos muito material orgânico e água. Extraímos mais que necessitamos. Tudo isso já ouvi, li ou vi em algum lugar mas o interessante foi ter recebido toda essa informação em contato com a terra.
A última parte da aula foi uma surpresa muito gratificante. Ficamos todos sentados numa roda com os olhos vendados recebendo diversos elementos na mão para através dos outros sentidos reconhecer cada uma delas.
Voltei ao Ensaio sobre a Cegueira. E desta vez podia me soltar. Tive imagens lindas me identificava com a forma, a textura e o grau de umidade de cada folha que recebia. A limitação que a ‘cegueira’ traz e o fato de que tínhamos que ficar sentados obrigou o resto do corpo a se concentrar em uma percepção localizada e mais profunda. Assim como eu quase todos que participaram tiveram uma pequena viagem. Um devaneio pelos sentidos e pela sua imaginação. Fomos tocados por nós mesmos, pelo que somos capazes de produzir. Consegui entender com clareza o que eles diziam no ínicio que tínhamos que salvar a nós mesmos pois a Natureza não se auto destruiu nós é que destruímos ela. Nos alienamos dela e de nossa natureza.
Acredito que a falta de ação se dá por que vivemos um tempo em que visão impera, em que as imagens nos dominam e nos imobilizam. A visão é, em parte, a geradora da nossa insatisfação. Vemos coisas que nem sabemos o que é e queremos. Queremos que o mundo nos veja mas dirigindo seu modo de olhar. Não somos livres por que podemos olhar a bunda ou a miséria do outro. Talvez tivéssemos que re-visitar todos as belas obras que a Humanidade criou com os olhos vendados e ver com os outros sentidos. Talvez devessemos nos amar de olhos vendados para perceber o outro.
Mas não é o olhar que causa isso mas a visão atrofiada que temos.
Essa semana recebi o e-mail de uma pessoa que conheci em janeiro na Colônia Penal Agrícola onde trabalhei. Ele escreveu que finalmente tinha voltado para casa e que já tinha recebido sua liberdade de volta. Me alegrou muito por que foi alguém que se dedicou muito a oficina e que já tem um livro publicado e um segundo à caminho. Também é uma pessoa que consegui entrar em segundo lugar na faculdade de direito.
Morrer não é nada perto de perder sua liberdade.
Prisão, maus tratos, revoltam.
A sociedade é um conjunto de indivíduos sem exceção. Exclusão é injustiça. De certo que somos livres até para nos auto excluirmos atacando a sociedade, se apropriando aquilo que não lhe pertence, destruindo a liberdade do próximo ou sua integridade física.
A violência de um assalto, de um sequestro, de se sentir ameaçado por uma arma, dificilmente se esquece. Não perdoamos aqueles que nos fazem mal. Mas por que devolvemos o mal com outro maior.
Entretanto para mim seria mais simples se cada um só consumisse a droga que produzisse. Não vendesse e nem fizesse propaganda. Muitos jovens não estariam na cadeia.
Hoje em dia ainda existem poucos que roubam por que estão com fome. FAMINTOS não tem força para roubar. Excluídos, socialmente postos à margem do sistema sócio-econômico tem força.
Além de que o descaso e o medo fazem com que a sociedade recue e dê espaço para ser ocupado de qualquer jeito.
Somos todos responsáveis pela violência e pelo desastre ecológico.
Será que temos força para salvar a nossa vida sem ferir a integridade física do próximo?

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Fim de semana

6 06UTC Agosto 06UTC 2009 · 1 Comentário

Temperatura acima da média em torno de trinta graus. Felicidade estou em casa.
Na rua aquele trânsito intenso de sexta feira.
Apesar de uma súbita mudança de rumo em julho continuei ativo.
O difícil da vida de alguém que como eu trabalha por empreitada é esse momento que vem depois… Posso dizer que hoje não é mais angústia de não fazer nada mas de ter sua rotina mudada. Exige muita flexibilidade. Tenho aproveitado para cuidar de mim e de minha família.
Estou estudando projetos, escrevendo e me reunindo para definir o que virá.
Eu tinha um médico que me dizia que se ele vivesse a minha vida ele enfartaria. Não sei se isso é um sinal de muita saúde da minha parte ou de que estou rumando em direção de um iceberg.
Cada um é responsável por seu corpo, por suas escolhas. Eu aprendi a me divertir com que faço e deixar de desejar uma outra existência para ir me transformando aos poucos.
Na minha vida tem ciclos. Fiquei mudando de país a cada cinco anos. Tive a coragem de sair e entrar em um novo relacionamento quando foi preciso. Como diz meu irmão minha vida é tão emocionante quanto uma montanha russa.
Acredito que um dos problemas da humanidade é previsibilidade. Isso torna o ser humano fraco e dependente. Sem capacidade de se adaptar e sem tolerância para situações novas.
O corpo é o primeiro a sofrer com isso. O pensamento vem em seguida. Uma atrofia na imaginação e nos alienamos de tudo.
Enfim que os novos projetos venham…

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Convicção!

31 31UTC Julho 31UTC 2009 · Deixe um comentário

Há muito tempo que se fala de arte e mercado…só alguém muito desavisado pode imaginar que exista alguém que só faça arte em troca de nada. O que tem é muita gente vendendo gato por lebre. Prometendo o céu a um bando de gente que se entrega para muito pouco. O artista precisa buscar a sua dignidade!
Viver em São Paulo não é barato. Há muito tempo tem gente vendendo poesia na rua. Ganhando muito ganhando pouco. Tem autor existe a propriedade, existe uma troca de valores.
Tenho um amigo que expôs anonimamente sua arte em postes e muros desta cidade. Quem viu não sabe quem fez. Durante um tempo ele quis assim. Depois ele decidiu que já era hora de assumir a autoria e receber algo por isso…cinco anos depois ou talvez mesmo essa proposta de trabalhar a arte pelo processo e não pelo produto lhe rendeu uma participação num projeto…o que lhe rendeu contatos.
Há quem despreze os artistas e quem inclusive se alimente de sua (falsa) ingenuidade para se promoverem. Esse são os medíocres que infelizmente dominam o setor mais opulento da área de cultura.
Num país de tradição cristã e sobretudo católica ganhar dinheiro é um pecado se não for associado com um bocado de caridade. Mas caridade feita a força é mentira.
Existem pessoas que produzem seus trabalhos com pouquíssimos recursos. E provam que é possível fazer arte e ainda se colocar no mercado.
Talvez esse texto seja hermético demais! Estou em crise e estou desabafando. Para poder continuar a fazer o que faço tive que me tornar um vendedor agressivo de minhas convicções. Faço com muita dignidade. Criei algo original e que em troca de dinheiro compartilho com quem venha me procurar. Seja esta pessoa diretor ou um aluno.
Mas isso não me faz sentir menos artista por isso. Não represento a fatia maior do bolo mas minha dignidade não se mede pela minha conta bancária.
Eu faço o que faço pela minha convicção e não pelo cinismo. O último projeto que participei o diretor disse que queria fazer entretenimento de qualidade. Que ele queria emocionar as pessoas trazer informação de bom nível e fazer o público passar um bom momento. Não deixei de me sentir artista por isso e nem passei a invejar sua iniciativa chamando o de medíocre. Pelo meu temperamento, gosto, formação, valores e propostas faria o mesmo de outro modo. Mas isso não cabe a mim.
Consigo ver por que estou onde estou e não em outro lugar. Por que sigo o que quero e acredito. Vivo com minhas convicções.
E no mais eu acredito que o público não sabe o quer…mas sabe que não quer chamado de burro e nem de massa de manobra. Às vezes ele se deixa seduzir pelos meios de comunicação de massa e corre para se colocar no meio… mas com tantos veículos de acesso a informação variada. Pode se encontrar uma outra coisa interessante e se seduzir por algo diferente.
Não sou um idealista…mas acredito que oito, dez ou mesmo vinte pessoas que acessam este blog o fazem por sua vontade. Ainda não sou uma moda.
Fazer sucesso não é difícil. Se manter no sucesso é complicado. O Ego e a auto exigência são os maiores inimigos.
Por isso que gosto de dar aula por que tomo o antídoto para meu ego e compartilho o remédio da minha auto exigência…enfim me vejo entre meus alunos.
Sei lá se esta última frase fez sentido. Nem sei se esse post também.
Agradeço as visitas!

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O segundo e o terceiro dia e o fim antes do começo

26 26UTC Julho 26UTC 2009 · Deixe um comentário

O segundo dia de filmagem como ator.
Entre o primeiro dia de filmagem e o segundo um intervalo de sete dias.
A situação é outra. Cena dentro de uma locação.
Três páginas de roteiro. Um ‘bife’ de informações escrito como se fosse um relatório. Me senti um locutor.
Uma cena com muito pouco movimento e que tarde demais percebi ser muito chato.
A minha insegurança com a insegurança do diretor quase geram uma crise. Ele muito gentil tentando uma última cartada me traz até o monitor e me mostra a última tomada. A minha reação foi dizer “E”…ele me disse “eu sei que você vai fazer algo”. Isso é resposta. Já havia acontecido antes com outro diretor mas não era o momento. Frustrado me levantei com ímpeto e voltei pro set. Eu quero ser dirigido. Mas tudo que ele me diz são coisas que já sei e não me motivam. A mania de colocar tudo como se fosse fácil sem ver o que poderia haver de errado na cena. O ator é culpado de tudo.
Volto para cena. Bambi mamãe morreu! Vou me desdobrando, me motivando e me segurando para não dar um grito. Em certo momento me sentindo completamente abandonado me lanço a fazer do meu jeito. Mas o texto emperra. Meus colegas atores tem mais liberdade com seus personagens. Um só comenta e o outro reage ao que digo questionando o que digo por que estou analisando ele.

Aceitei o desafio por que o diretor naquele momento soube me pegar de jeito e além de que eu queria fazer um filme como ator.
Teve um momento que quis mandar tudo às favas.

Hoje, o dia seguinte, o diretor me pergunta se estou bem. Acho que fui bem duro com ele. E me diz delicadamente que a cena ficou uma merda e que ele está pensando em refilmar.

Fiquei feliz mas se ele não mudar nada. Se não reduzir ou simplesmente mudar o foco do díalogo vai continuar sendo um desastre.

Pelo que voces devem estar lendo não estou feliz.

Podia ter previsto isto? Eu li o roteiro várias vezes e alertei o diretor de que a cena era muito longa e informativo…mas como não ia fazer deixei prá lá. Eu podia estar enganado e ele poderia dirigir a cena de modo a levar para algo inesperado. Isto não estava no roteiro e não é bom sair julgando alguém sem conhecimento de como ela quer fazer a cena. Por tudo que aconteceu, o modo como foi parar dentro do elenco, não pudemos ensaiar.
Admito que não pensei em muitas propostas mas sei que o diretor também está fechado nas suas idéias. Agora eu acredito que ele queira rever.

Domingo passado eu estava tomando café com minha amiga Sara e contando minha aventura quando o celular toca. Era o diretor que me disse que não queria dizer isso por telefone mas que enfim não havia outro jeito, que ele estava angustiado, que admitia que tinha feito um erro e que ainda havia tempo para reparar. Enfim fui despedido!
Na hora senti pena dele. Quanto dinheiro e esforço jogado fora. Quanta displicência com seu trabalho. Quanta cegueira e surdez por que eu já tinha alertado ele que ao me convidar ele estava tentando uma proposta totalmente diferente do que ele havia proposto inicialmente.
Para mim estou coletando dados para que eu possa fazer o meu filme.
Quando? Sem data. Ainda me falta um roteiro que me inspire. Na hora não me deu vontade de despejar a minha insatisfação. Ele só elogiava meu trabalho de preparador. A minha contribuição positiva e importante para a qualidade do filme…enfim não me vinha vontade de dizer para ele que ele não tinha tido pulso para me dirigir. Que lhe faltava inspiração. Eu apenas disse aquilo que havia dito anteriormente que estava disposto a lutar pelo filme. Que continuaria lutando…
Porém dei força. A minha vaidade de ator não ficou ferida por que vi que a situação dele era difícil. Entendi o ‘miscasting’ e que eu ficaria muito mal no filme.
Incrível eu já tinha previsto isto antes e ninguém me escutou.
Terminou a minha saga como ator num filme que vou deixar por enquanto sem nome.

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Ação!!

12 12UTC Julho 12UTC 2009 · Deixe um comentário

Escrevendo no  meio do set de filmagem. 

É uma primeira vez e talvez não se repita. Não tenho esse sangue frio todo.

Mas como este plano não envolve os atores posso me dar ao luxo.

 

O Ator imaginário na tela!!! 

Além de preparar estou atuando no filme. É um personagem que tem uma importância grande na vida do protagonista. Uma nova experiência!

De certo modo essa preparação me levou a ser esse personagem.

O diretor me observou durante muito tempo. Me viu em ação e viu que o que eu faço tem muito a ver com que a personagem faz. Além de que ele viu que eu também sei atuar e gostou de me ver atuando. 

Esta proposta surgiu nos últimos dias da preparação. Até havíamos ensaiado um ator para fazer o papel mas em cima da hora ele descobriu que a sua agenda não compatibilizava com o cronograma do filme e que ele não tinha como se livrar daqueles compromissos.

Antes deste ator chegar, que aconteceu na última semana da preparação, eu havia ensaiado as cenas deste personagem sem nenhum compromisso. Eu quis entender e adiantar o trabalho de dirigir o ator que viesse fazer o personagem apresentando ao diretor a minha versão para que ele não ficasse com uma lacuna na sua dramaturgia. Traduzindo eu dei vida ao personagem de uma forma provisória para que o diretor pudesse entender a situação dos persoangens. Eu nunca tinha feito isto antes mas a intimidade que desenvolvi com os atores me facilitou nessa experiência.

 

O primeiro dia de filmagem foi também o meu primeiro dia de ator no filme…que responsa. Não ensaie nenhum dia sendo oficialmente o ator desta personagem. Paradoxalmente eu não tive tempo para preparação. 

Se isto pesou não sei ainda dizer. Estou assimilando tudo isto.

Em geral eu não fico nervoso mas meu processo é muito racional e mesmo com todo o conhecimento, domínio que tenho sobre meu corpo, preciso de um tempo para encontrar meu lugar. Isto é o dilema do ator no cinema. São tantas interferências no seu modo de estar e tanta coisa para desviar sua atenção. Um set de filmagem é um lugar com um excesso de estímulos mas que no começo poucos servem para o ator entender o que ele está fazendo ali. Nem o diretor consegue de primeira situar o ator. Ele procura conduzir, levar o ator para seu lugar…mas isso o ator dificilmente aceita. Ele quer conquistar seu conhecimento, estabelecer sua relação com o espaço, com seu corpo, com o tempo. 

 

O primeiro plano da noite a câmera descia numa grua num movimento vertical se aproximando do rosto do outro ator que veria encontrar. A minha ação consistia em colocar meu pé esquerdo do lado do cotovelo esquerdo do ator, me abaixar, deixar o bastnao que carregava na mão em algum lugar no chão, ajeitar meu figurino de modo que não interferisse na fluidez da minha ação, colocar minha mão direita debaixo da cabeça dele, levantar ela até um ângulo que favorecesse a visão da câmera, cuidar daquele homem que estava pedindo socorro e estava quase sucumbindo, cuidar para que minha cabeça não entrasse na frente da câmera, que eu mantivesse uma postura ereta e ao mesmo tempo me relacionar afetivamente com aquele homem. A maioria disso que escrevi não estava no roteiro e isso era apenas o primeiro plano de uma noite gelada numa locação ao ar livre vestindo trajes bem leves.

Tem que coragem e muita entrega para ser ator.

Naquela mesma noite o meu último plano ficou pendurado. Ou seja faltou tempo para concluir e teríamos que retomar num outro dia. Era um close mostrando toda a minha emoção naquela situação. Ou seja um plano extremamente importante  para mim e para meu personagem. 

Confesso que fui para casa sem me dar conta de tudo isso. Eram cinco e meia quando entrei no meu quarto de hotel mais preocupado em conseguir um bom descanso. Tomei um banho e ao som da cidade despertando fechei os olhos.

Quatro horas e meia mais tarde despertei e fui para minha aula de Pilates. Conhecendo meu ritmo interno sabia que acordaria mesmo sem despertador  por que sou matutino. É o período da manhã em que estou normalmente mais ativo. Nasci assim e gosto de acordar cedo. 

Em outras situações eu simplesmente tentava lutar contra minha natureza e acabava tendo que ceder. Desta vez me arrastei até a academia e dei a quantidade de movimento que meu corpo pedia. Logo em seguida fiz uma refeição leve e voltei para o hotel. Tomei banho e …dormi de novo. Acordei bem. Aprendi algo que já ouvido falar antes que moderada atividade física ajuda a recuperar o corpo depois de um grande esforço e que a falta desta atividade pode dificultar que o corpo possa eliminar toxinas e se recompor. Os atletas fazem isso…mas para mim só agora caiu a ficha. 

Bem…na noite seguinte voltamos para a mesma locação mas fazendo outras cenas. A lua começa a minguar. Ela que nos havia agraciada com uma luminosa presença no primeiro dia de filmagem começava se recolhar para seu camarim. O plano que faltou estava programado mas eu nem me preocupava. Estava no set como preparador e tinha mais coisas para fazer. Enfim chegou a notícia de que aquele plano ficaria para o dia seguinte. Na minha cabeça o diretor já tinha desistido mas essa é uma qualidade de diretor: persistir numa idéia até que criar uma oportunidade para que ela se materialize e saber contabilizar as perdas se tiver que abandonar sua proposta por ser inviavél. 

Até que enfim no terceiro dia de filmagem faltando dez minutos para encerrar o set me vestiram e me colocaram diante da câmera com a missão de produzir uma emoção que sentiria há 48 horas antes. Que roubada! Dentro de mim tudo frio. Sem movimento. Ao meu redor nada que me estimulasse na direção certa. Nem o diretor. Um set caótico e devastador. Todos cansados para não dizer de saco cheio, olhando para um ator tentando dar sentido para um contexto sem nexo. Onde antes havia outros atores estava um tripé, um enorme rebatedor, uma grua, uma maquiadora com cara de nada, e por trás uma noite escura. Faltando pouco eu gritava comigo. Mas meus gritos eram abafados pelos gritos do assistente de direção: Fumaça!!! Mais fumaça no fundo!!! Vai!!!

e pelos gritos do diretor: Emoçao! Segura emoção….

Dentro de mim nada. Só um pedido de acabar logo com tudo isso. 

A situação foi me deixando frustrado e logo se transformar em raiva. Dei alguns tímidos gritos que assim não dava, fechei os olhos, andei um pouco mas a fumaça recebia mais atenção que o ser humano que estava na frente da lente. Fizemos uma, duas, três tomadas….via que o diretor persistia mas não estava satisfeito e que eu estava afundando, aceitei que perdi e relaxei…a emoção finalmente veio e pudemos fazer dois takes que valeram. O diretor me defendeu e senti confiança nele. 

Escrevendo isso estou entendendo o que me aconteceu e quero me lembrar disto para os próximos dias de filmagem. Desta experiência eu entendo ainda mais o valor do trabalho que faço e deu sua importância para buscar uma qualidade de atuação que não seja automato ou de um repertório que diretor e ator convencionam como sendo bom.

 

O set acabou. O protagonista vem até mim e me diz que eu estou na melhor posição, que não valia a pena estar lá. Foi uma sequência de planos técnicos mas ele precisava estar lá com seu corpo e é claro que ele se sente usado pelo diretor que esqueceu de lhe dizer obrigado. Não sei que tem razão se é que existe alguém que tenha razão as 3:45 da manhã após uma jornada de quartorze horas.

Vou dormir…daqui a dez horas ou mais estarei de volta para uma última noturna.

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Pina Bausch

30 30UTC Junho 30UTC 2009 · 2 Comentários

Pina Bausch morreu…
Um Poeta que escrevia no corpo e no espaço a dificuldade do ser humano expressar seu amor.
O que ela, com seus bailarinos, produzia era grandioso e ao mesmo tempo intimista. Ela conseguia aproximar o espectador fazendo ele ser cúmplice de uma tentativa de dizer algo urgente, necessário e indizível.
A musicalidade do gesto, do movimento, da cena me inspiram até hoje.
Tenho ela como uma referência de Belo.
Vai Pina dançar em outras esferas.

Michael morreu.
Genial, Confuso…eu adorei Thriller!!!
Foram os primeiros clips que vi na minha vida.
Adorava os Jacksons Five…cantava as músicas desde criança e me emocionava ao ouvir Ben.
Não entendi o que aconteceu com ele e desejo que o deixem em paz para ser criança de novo.

A nostalgia de onde viemos, o rompimento e a restauração de algo que permanecerá frágil em desejo e realização são as fontes de inspiração de artista.

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